Rabo de Saia

Os factos aqui contidos são reais e qualquer semelhança com a ficção é mera coincidência.

 

quarta-feira, julho 12, 2006

E não é que ...

... continuo sem conseguir inserir imagens. HELP!

Estou em alta

o balão do joão ...
Dizem que a vida é fodida. Pessoalmente não tenho razões de queixa dela mas tem lá umas coisas que são difíceis de entender. Há quem diga que a vida nos coloca obstáculos pela frente para nos testar, para nos tornar mais humildes. Eu até concordo mas só vejo isso a acontecer a mim e a mais meia duzia de pategos que nem precisam assim tanto das lições da dita. Da vida.

Estou sempre a dizer: "A vida há-de lhe ensinar". Mas isso nem sempre acontece. E os que mais precisam são os que parecem passar pela vida impunes. Encornando, maltratando. Filhos da puta.

"Mas quem és tu pra distinguir entre os bons e os maus?" - diria a minha irmã. "Se calhar para muitos tu és dos maus". Desde que a conheço que a gaja me irrita. Este comentário estraga por completo a minha 'arrumadinha teoria da conspiração'. Vamos ignorá-la.

Não digo que não tenha merecido muitas das lições que a dita, a vida, me tem dado. Tenho queda para cagona e tendo a achar que sei tudo e que sou uma dádiva de Deus na Terra. Por isso, a vida gosta de me dar uns abanões. É justo.

Quando estou a passar das marcas - a dizer frases que começam com "a minha empregada" ou a olhar de esguelha os amigos que faltam ao jantar e vêm só tomar café porque andam "mal de dinheiro" - a vida põe-me desempregada durante uns meses.

Cheguei, recentemente, a viajar de transportes públicos para a margem sul, onde sofri uma overdose de laca barata, sovacos por depilar e calcanhares descascados. E quando já ando pelas ruas de ar maltratadinho a pensar na empregada e no colégio que já não posso pagar, dá-me uma nova chance. Nada de muito glamoroso para ver como me porto.

Depois, acomodada à vida mediana e a arranjar as unhas em casa, arremessa-me com um troféu douradinho e brilhante. Daqueles com que se sonha uma vida inteira mas não se sabe exactamente o que fazer com ele quando se o tem na mão. Assim estou eu.

Nos últimos anos passei de besta a bestial - e vice versa - várias vezes. Agora estou em fase "bestial" e não tenciono sair daqui. A vida tem perdido muito tempo comigo e, embora lhe esteja agradecida, peço-lhe que siga em frente e se ocupe de outra qualquer alma perdida.

Vou mudar de casa, comprar carro novo, voltar a falar torto com a empregada que, entretanto, readmitirei. E vou voltar a frequentar o cabeleireiro e a pintar os olhos com rimel azul. E alguém que se atreva a vir cá dar-me mais uma lição de vida.

segunda-feira, julho 10, 2006

Aqui vou eu p'ra Albufeira

Não vou nada. Este é um título enganador e que não passaria no exigente crivo ético do mundo publicitário.

Na verdade, não vou p'ra Albufeira nem p'ra lado nenhum. Na verdade não vou ter férias. Na verdade, fico em Lisboa a alancar.

Queixumes aparte, o título "Aqui vou eu p'ra Albufeira" é uma graçola com a letra da música "aqui vou eu para a costa", a introduzir a temática do boicote dos ingleses às férias no Algarve.

Reparei que está tudo muito preocupado com isso. Se calhar está-me a escapar alguma coisa mas isso não é bom?

Agora que os ingleses se vão embora, Albufeira até tem chances de ficar alguma coisa de jeito. Atirem lá os tomates, vá. Atirem. Atirem.

(e mais uma vez nada de foto. raios partam estes gajos do google. quantos são, hein?! quantos são?!)

Alguém me explica ...

... porque é que esta m**** não me deixa inserir imagens?

Primeiro fui bloqueada por "suspeita de spamming" e agora isto. Haja santa paciência. Eu quero bonecos!

sexta-feira, julho 07, 2006

Friday I'm in Love

Sexta-feira é um bom dia para relativizar os problemas que ainda na segunda-feira pareciam incorrigíveis e monstruosos. Por isso esperei até hoje para falar de futebol. Receava dizer algo que pudesse soar a falta de patriotismo. Ou azia, mesmo.

Não ganhámos o mundial. Não posso dizer que tenha ficado satisfeita com isso mas não deixam de me irritar os efeitos exacerbados de companheirismo que rodeiam estes grandes eventos futebolísticos.

É que nem no Natal, a amizade, a boa vontade e a generosidade se fazem sentir desta maneira. É oficial. O Mundial de Futebol põe o Natal a um canto. E o São Nicolau não há-de estar muito contente com isso. Depois não se admirem se na meia encontrarem umas truces brancas de presente. Ah, pois é.

E o comportamento dos tugas ao volante é sintomático. De manhã gritam com velhinhas, apressam mães atarefadas nas passadeiras, escarram pela janela e a apitam assim que o sinal fica verde. À noite, após uma vitória fresquinha da selecção, somos todos amigos. Não há pressas e "Portugal é o maior".

Portugal é, de facto, grande. Mas para ser o maior teria de manter este ambiente de cordialidade e companheirismo muito para além das celebrações nos Marqueses de Pombal por esse mundo fora.

Em relação à França, nem o facto de ser sexta-feira ameniza o que teria a dizer sobre um povo que dá o nome pomposo de escargots a algo tão nojento quanto os caracóis. Não é necessário denegri-los porque eles fazem isso sem precisar de grande ajuda. Basta saber de Um Morto e Vários Feridos Após o Jogo do Mundial, em Paris, e da agressão a António Esteves Martins, durante o seu directo para a RTP.

Pode uma mente mais distraída estar agora a pensar: -"Esta gaja é estúpida! então ela não deseja que Portugal ganhe!" Esta gaja é, de facto, um bocado estúpida, mas deseja que Portugal ganhe.

Portugal são os portugueses. E esses estão cada vez mais estúpidos, abrutalhados e alheios aos outros. Há uns que até cortam as unhas na praia. Acreditem ou não. Mas os outros não são melhores. Terão outros defeitos. Talvez ninguém devesse ganhar até aprender a comportar-se. Substituam os árbitros por continas de recreio que a coisa endireitava-se.

Mas, de qualquer maneira, só uma gaja faria ilações acerca do merecimento de uma vitória com base no que se passa tão longe das quatro linhas. Para além de estúpida, serei retorcida também, então.

Esta gaja, estúpida e retorcida, também é demagógica. Eu gostava de ver esta capacidade de mobilização em torno da selecção aplicada a outras realidades como a injustiça, a pobreza, o desemprego, a violência e por aí fora. Bem sei que não é futebol.

Assim sendo, que fique claro que não há nada de anti-patriótico nas minhas palavras. Não é que não goste de Portugal. É que gosto tanto que não suporto vê-lo assim.